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Confúcio

Seu Nascimento e Juventude
Confúcio, também conhecido como K'ung Ch'iu (Mestre Kong), nasceu em meados do século VI (551 a.C.), em Tsou, uma pequena cidade no estado de Lu, hoje Shantung. Este estado é denominado de "terra santa" pelos chineses. Confúcio estava longe de se originar de uma família abastada, embora seja dito que ele tinha descendência aristocrática. Seu pai, Shu-Liang Hê, antes magistrado e guerreiro de certa fama, tinha setenta anos quando se casou com a mãe de Confúcio, uma jovem de quinze anos chamada Yen Chêng Tsai, que diziam ser descendente de Po Ch'in, o filho mais velho do Duque de Chou, cujo sobrenome era Chi. Dos onze filhos, Confúcio era o mais novo. Seu pai morreu quando ele tinha três anos de idade, o obrigando a trabalhar desde muito novo para ajudar no sustento da família. Aos quinze anos, resolveu dedicar suas energias à busca do aprendizado. Em vários estágios de sua vida empregou suas habilidades como pastor, vaqueiro, funcionário e guarda-livros. Aos dezenove anos se casou com uma jovem chamada Chi-Kuan. Apesar de se divorciar alguns anos depois, Confúcio gerou um filho, K'ung Li, que nasceu um ano após seu casamento, e uma filha.
Fundo Histórico da China
Confúcio viveu numa época em que a China se encontrava dividida em estados feudais que lutavam pela supremacia do poder. Estas guerras eram seguidas de execuções em massa. Soldados eram pagos para trazer as cabeças de seus inimigos. Populações inteiras eram dizimadas através da decapitação de mulheres, crianças e velhos. Estes números chegavam a 60.000, 80.000, 82.000, e até 400.000. A longa e complexa história política do povo evolveram na desunião e diversidade, que estavam refletidos nas características sociais e culturais da Dinastia Chou. A renascença social e moral advogada por Confúcio não tinha aprovação universal, principalmente nos círculos de poder, e seu ardente desejo era um posto governamental. Foi então que na idade de trinta anos ele deixou Lu e viajou para o Estado de Ch'i em companhia do Duque Chao, que fugia por ser o perdedor de uma dura luta política.
Seus Anos de Serviço Público
Aos 51 anos de idade foi indicado como funcionário chefe da cidade de Chung Tu e, pelo seu desempenho chegou a ser promovido ao posto de Oficial dos Serviços Públicos, e depois, ao de Grande Oficial da Justiça em sua província. Aos 55 anos partiu numa jornada de treze anos visitando os estados vizinhos e falando aos senhores feudais sobre suas idéias. Foi recebido como um erudito, mas nenhum dos governantes pensou em colocar essas idéias em prática. Confúcio acreditava que a implementação de seus pontos de vistas pelo governo estabeleceria a utopia do "estado como um bem público", e prepararia o caminho para paz entre os homens. Regressou a sua terra natal quando tinha 68 anos, onde continuou se dedicando ao ensino de um grupo de discípulos. A escola privada, fundada por Confúcio, cresceu a ponto de ter 3.000 alunos. Destes, setenta e dois eram chamados de seus discípulos mais eruditos. Ele tentou transformá-los em Jens, seres humanos perfeitos que praticassem o exercício do amor e da bondade. Segundo seus preceitos, a sociedade humana deve ser regida por um movimento educativo, o qual parte de cima, e equivale ao amor paterno, e por outro de reverência, que parte de baixo, como a obediência de um filho. O Confucionismo considera o homem bom e possuidor do livre arbítrio, sendo a virtude sua recompensa. O único sacrilégio é desobedecer a regra da piedade. Segundo a história, Confúcio morreu em 479 a.C., velho, desapontado, mal sucedido e murmurando:
"A grande montanha terá que desmoronar! A forte viga terá que quebrar! O homem sábio murcha como a planta! Não existe ninguém no império que me queira como mestre! Meu tempo de morrer chegou." (Anacletos, 56)
Seus discípulos o lamentaram por três anos, e um deles permaneceu junto à sua sepultura por seis anos em Ch'u Fü. Hoje, o local tornou-se a Floresta K'ung.
Em sua visão de reforma, Confúcio advogava justiça para todos como o fundamento da vida em um mundo ideal, onde os princípios humanos, cortesia, piedade filial, e virtudes da benevolência, retidão, lealdade e a integridade de caráter deviam prevalecer. Porém, deve-se atentar às perspectivas do povo chinês na época de Confúcio, e observar as influências que ele trouxe, as quais não se limitam a uma esfera ética.
Seus ensinos advogam que o homem é capaz de ser perfeito por ele próprio, pelo seu esforço de seguir o caminho dos seus antepassados.
Confúcio aludia que a natureza humana é boa. Este ensino foi desenvolvido posteriormente por seus discípulos, e tornou-se uma crença cardeal do Confucionismo.
Confúcio, apesar de estar voltado para este mundo, acreditava no céu e na sua influência sobre a terra e sobre os homens.
Confúcio influenciou a China em dois grandes preceitos religiosos: o da veneração e adoração aos ancestrais, e do conceito de piedade filial.
O Confucionismo permaneceu como religião oficial da China desde sua unificação, no século II, até sua proclamação como República pelo Kuomintang em 1911.
Durante a Dinastia de Han do Imperador P'ing (202-221 a.C.), seus funcionários foram recrutados entre os confucionistas. As primeiras críticas ao Confucionismo surgiram com a República.
Entre 1966 e 1976, durante a Grande Revolução Cultural Proletária, foi novamente atacado por contrariar os interesses comunistas. Atualmente, apesar do comunismo banir todo tipo de religião, 25% da população chinesa afirma viver segundo a ética confucionista. Fora da China, o Confucionismo possui cerca de 6.3 milhões de adeptos, principalmente no Japão, na Coréia do Sul e em Cingapura.
Princípios do Confucionismo:
podem ser resumidas em seis palavras-chaves:
1. Jen - humanitarismo, cortesia, bondade, benevolência. É a norma da reciprocidade, ou seja, "não faça aos outros o que você não gostaria que lhe fizessem." Esta é a virtude mais elevada do Confucionismo. Segundo ensinam, se o homem colocá-la em prática, ele poderá viver em paz e em harmonia com as outras pessoas (Anacletos 15:24).
Porém, desde o princípio da humanidade, o gênero humano nunca foi por si próprio, ou pelo seu esforço, capaz de estabelecer esta paz ou harmonia. O exemplo vemos na história antiga e contemporânea: Egito, Babilônia, Grécia, Roma, I & II Guerras Mundiais, Bósnia, Ruanda, Iraque, e a lista não teria fim.
2. Chun-tzu - homem superior, virilidade. Segundo Confúcio, o homem para ser perfeito deve ter humildade, magnanimidade, sinceridade, diligência e amabilidade. Somente assim, ele poderá transformar a sociedade em um estado de paz.
3. Cheng-ming - Retificação dos nomes. Este conceito ensina que para uma sociedade estar em ordem, cada cidadão deveria ter um título designativo ou um papel, e afirmar-se neste papel no esquema da vida. O rei, atuando como rei, o pai como pai, o filho como filho, o servo como servo. (Anacletos, 12:11; 13:3)
4. Te - poder, autoridade. Confúcio ensinava que a virtude do poder, e não a força física, era necessária para dirigir qualquer sociedade. Todo governante, segundo ele, deveria ter esta autoridade para inspirar seus súditos à obediência. Este conceito perdeu-se durante o tempo de Confúcio, dado à predominância das guerras e sobrepujança das dinastias entre si.
5. Li - padrão de conduta exemplar, propriedade, reverência. Este conceito é tratado no Livro das Cerimônias (Li Ching), um dos Cinco Clássicos. Segundo Confúcio, cada governante deveria ser benevolente, proporcionar um bom padrão de vida para o povo e promover a educação moral e os ritos. Sem esta conduta, o homem não saberia oferecer a adoração correta aos espíritos do universo, não saberia estabelecer a diferença entre o rei e o súdito, não saberia a relação moral entre os sexos, e não saberia distinguir os diferentes graus de relacionamento na família (Li Ching, 27). Como exemplo perfeito de benevolência, ele exaltava o legendário Imperador Yao e seu sucessor, o Imperador Shun, os quais foram renomeados e constituiram, como diziam, "uma idade de ouro da antiguidade".
6. Wen - artes nobres, que inclui: música, poesia e a arte em geral. Confúcio tinha uma grande estima pela arte vinda do período da Dinastia Chou, e considerava a música como a chave da harmonia universal. Ele cria que toda expressão artística era símbolo da virtude e que deveria ser manifesta na sociedade. "Aqueles que rejeitam a arte, rejeitam as virtudes do homem e do céu" (Anacletos, 17:11, 3:3). Para Confúcio, a música era um reflexo do homem superior e espelhava seu caráter verdadeiro.
Segundo a doutrina de Confúcio, o ser humano é composto por quatro dimensões:
-> O eu
-> A comunidade
-> A natureza
-> O céu (fonte da auto-realização definitiva)

As cinco virtudes essenciais do homem são:
-> O amor ao próximo
-> A justiça
-> O cumprimento das regras adequadas de conduta
-> A autoconsciência da vontade do "Céu"
-> A sabedoria e sinceridade desinteressadas
Confúcio e o Estado Ideal
Confúcio, nome romanizado para Kung futsé, é talvez o sábio mais influente de todos os tempos. Apesar de ter vivido entre os séculos IV e V a.C., o grande pensador chinês sempre exerceu enorme presença junto ao seu povo. Pregador moralista, tratadista e legislador, legou ao povo dos Han um conjunto de normas e elevados valores morais expressos em frases curtas, de fácil entendimento, educando assim, ao longo dos últimos 2.500 anos, milhões de chineses nos princípios da retidão, parcimônia e busca da harmonia.
Um sábio retirado
Confúcio, que nascera no Estado de Lu, na atual província de Xantung, no litoral do Mar Amarelo, provavelmente no ano 551 a.C., era de descendência nobre, dos duques de Song e da casa real dos Yin. Nascera, todavia, com poucos recursos, quase na pobreza, o que não foi impedimento para que ele se dedicasse desde a adolescência ao estudo. Intrigas na casa ducal do Estado de Lu fizeram com que ele, abandonando a terra natal, se tornasse num sábio itinerante. Vagou por alguns anos, acompanhado por um punhado de discípulos, de corte em corte atrás de um governante que se dedicasse à construção de um Estado Ideal. Voltando ao velho lar depois de infrutífera mas proveitosa peregrinação, local onde faleceu em 479 a.C., resignou-se a tornar-se um mestre da sabedoria. Sua fama espalhou-se e, em pouco tempo, o Templo de Confúcio , na cidade de Qufu, tornou-se lugar de veneração, acorrendo para lá, pelos séculos a fio, gente de todos os cantos da China. Como Sócrates depois dele, o grande mestre não escreveu nada, deixando, entretanto, suas lições, máximas e sentenças, serem registradas por seus discípulos, especialmente por Mêncio, que as sintetizou em vários livros de ensinamentos. Entre eles, no Os Analectos, encontram-se, aqui e ali, suas observações sobre o tão almejado Estado Ideal, sonho de Platão e de tantos outros filósofos ocidentais.
O Príncipe, Estrela Polar
O Grande Mestre era um nostálgico do passado da China, um confesso admirador das primeiras dinastias desaparecidas, como a do duque de Zhou (cuja dinastia governou entre 1027 e 771 a.C.), a qual ele entendia como modelo de perfeição teórica a ser seguida. "Eu transmito", disse ele, "não invento nada. Confio no passado e o amo." A acentuada desordem com que ele foi obrigado a conviver naquela época - chamada pelos historiadores de Período da Primavera e Outono (770-476 a.C.) -, estando a China subdividida em estados antagônicos, devia-se, no entendimento dele, não às instituição feudais mas sim ao desvio das estimadas virtudes que foram, desde os tempos imemoriais, o sustentáculo da antiga realeza. Recuperá-las afim de restaurar a antiga unidade da China era a principal tarefa do sábio, a sua maior missão. Dai o sentido da frase em ele que afirmava: "Estuda o passado se quiseres prognosticar o futuro". Confúcio entendia o mundo político similar ao céu que nos cobre, no qual o Kiun tseu, o Príncipe, o Senhor, o homem superior, era a Estrela Polar, corpo fixo que recebe as homenagens dos demais, exercendo o tianming, Mandato Divino como Filho dos Céu (conceitos de poder desenvolvidos em épocas anteriores, pelos Zhou).
Confúcio: O cavalheiro ideal
Esta estrela maior, apoiada em arraigados e definitivos valores morais, bem acima dos demais, pela fortaleza das suas qualidades, fazia com que todo o restante celestial lhe prestasse vassalagem. Este principe, porém, não era alguém que recebesse a posição por imposição da hereditariedade dinástica. O trono não lhe chegava pela herança paterna, mas era alcançado por suas magníficas virtudes.
Para recuperar a antiga harmonia era preciso faz surgir uma nova espécie de dirigente, o junzi, o cavalheiro. Este era o tipo ideal do Grande Mestre, alguém educado nas excelências maiores, um produto da ética e do livro e não da espada e do sangue. Contribuiu assim Confúcio para que depois, ao largo de dois mil anos de história chinesa, a elite dirigente do país -os mandarins - fosse escolhida por meio de concursos públicos abertos a todos que se sentissem habilitados, fazendo com que antiga nobreza dirigente fosse substituída por uma casta de letrados, selecionados por meio de exames regulares (*)
(*) Acredita-se que Confúcio tenha sido o porta-voz dos shi, um grupo de intelectuais e seus discípulos que reivindicava um espaço especial na ordem feudal vigente, pleiteando uma posição relevante devido a sua cultura superior e dedicação ao estudo.
Algo equivalente ao papel da intelligentsia na Rússia czarista do século 19, mas de maior ambição do que os scholars na sociedade anglo-saxã de hoje.
O segredo das relações sociais
Enquanto o príncipe mantinha-se como se fora a Estrela Polar - um seguro ponto referencial no firmamento - os outros, os comuns, obrigavam-se a manter-se respeitosos as cinco relações sociais: a que o soberano mantém com o súdito; a estabelecida entre pai e o filho; a existente entre o irmão maior e o irmão menor; a entre o marido e a mulher; e, por fim, a que um amigo devota ao amigo.
Violá-las ofende o Decreto do Céu, provocando assim a licença e a desordem. Por tanto, a primeira e principal tarefa do sábio, deste homem superior, é tomar conhecimento da vontade celeste. É saber auscultá-la, entender suas diretrizes e determinações.
Havendo harmonia nas alturas era de se esperar vê-la reproduzida na sociedade. O sábio é, pois, um demiurgo, o que faz a ligação das coisas do céu, divinas, com o que se passa ao redor dele, procurando ilustrar o principe e os dirigentes nos ensinamentos superiores.
Ensiná-los e aos seus discípulos qual é o verdadeiro Tao , o Caminho, para que eles não despendam seu tempo em veredas erráticas, desviantes daquilo que o Senhor das Alturas, previamente, traçou para eles. Tal é a sua missão. A desordem, os tumultos e desacertos resultavam desse desconhecimento, dos homens não saberem em que porto ancorar, em que lugar da sociedade é melhor situar-se para poder obrar em função do todo, da família e da sociedade.
Conhecimento e harmonia
Se o sábio fazia as vezes de intermediário entre o Céu e a Terra, instruindo o príncipe na sua tarefa sagrada, cabia a este dar aos súditos o sentimento dos seus respectivos deveres para despertar-lhes o espírito e a sabedoria. O príncipe tinha que ser príncipe, o ministro, ministro, e assim por diante, bem definidas as funções hierárquicas, marcados os ritos, qualquer desvio disso era perigoso, nocivo, visto que confundia os súditos, introduzindo à desconfiança e à desordem no reino.
Desta maneira, se um governante ou um seu funcionário locupleta-se com os recursos públicos, botando a mão no tesouro do estado para seu próprio beneficio, deve esperar-se que o mesmo ocorra entre a gente comum, entre os governados. E, ao contrário, se ele mostra-se íntegro, ajuizado e responsável com os gastos públicos, todos o seguirão em parcimônia e correção. Para alcançar isso era preciso, insistiu Confúcio, conhecer o funcionamento da natureza das coisas com o fim de obrar (yi) em qualquer situação e compreender a significação íntimas dos ritos (li). Diríamos hoje conhecer a psicologia e o caráter dos homens. Hierarquia e o Respeito são, pois, os pilares do bom governo, aquilo que dá sustentação a Harmonia. Os súditos, por sua vez, além de manterem-se obedientes às cinco relações sociais, devem ser ensinados no tchon , a retidão, para que possam praticar o chu, o altruísmo.
Governo e moral
A obsessão burocrática de Confúcio - talvez o primeiro ideólogo da burocracia então em formação - de quer ver tudo como um ritual, revela-se quando ele faz reiteradas recomendações ao príncipe em fazer bem a tcheng min (a denominação correta das coisas), a precisa distribuição dos deveres e das funções dos servidores, pois ele, o senhor, não é apenas alguém que reina.
O kiun tseu, o príncipe, organizador das coisas, é igualmente um valor moral: a nobreza da alma dele é o que melhor o qualifica para as dignas e elevadas funções que exerce. Assegurada a absoluta correção pessoal dele, pode até dispensar-se de promulgar leis, pois o seu desejo ou inclinação prontamente são obedecidos pelos súditos.
Não precisa, para tanto, intimidar ou atemorizar ninguém. Ao adentrar em qualquer recinto todos sentem a inequívoca força moral que se desprende dele, prostrando-se frente ao seu caráter superior.
O bom governo é acima de tudo uma força moral que constrange o potencial negativo e anti-social do delinqüente, do malvado e do fraudador, cerceando-os, obrigando-os a seguirem as regras do bom convívio desejado pela coletividade.
Entende-se assim o dito de Confúcio de que "a virtude do príncipe é como o vento agindo sobre a erva da plebe. A erva sempre se curva quando o vento sopra sobre ela." O estímulo sistemática dele, em linguagem sempre poética, para a conciliação entre o governo e seus dirigidos, entre soberano e súdito, entre o homem e a natureza e dos homens entre si, é que explica denominação poética da maioria das dependências existentes na Cidade Proibida de Pequim, antiga morada dos imperadores chineses, construída no tempo da Dinastia Ming. Sucedem-se naqueles pavilhões, construções que por 600 anos serviram aos detentores do Mandato Divino, uma alameda chamada de a Pureza Celestial, seguida pela da União e Paz, outra denominada de a Tranqüilidade Terrestre e ainda a da Elegância Preservada, havendo um prédio dedicado às Melodias Alegres.
O sábio e o santo
Confúcio usava a expressão Kiun tseu, para indicar, indistintamente , o príncipe, o senhor, assim como o sábio, colocando-os aparentemente no mesmo patamar. Ambos seriam homens superiores.
Todavia exerciam funções distintas (o príncipe com a tarefa de bem governar e o sábio com a de educar e purificar), inteiramente diversas do siao jen , o plebeu.
Se bem que ele considerasse o melhor governo possível o do homem santo, ele afirmou que em épocas degeneradas, como a que ele vivia, tal era impossível de vir a se constituir.
Por isso, o sábio fazia as vezes do homem santo, visto que , por outros caminhos e dedicada perseverança, era capaz de abrigar um conhecimento próximo da santidade. Enquanto o homem santo imediatamente captava o simbolismo do Bem e da Verdade, o sábio demandava muito mais tempo em decifrá-lo. Com o enlevamento do coração pelo estudo das Odas (Che), preocupando-se em conduzir-se sempre pelas boas obras, o sábio habilitava-se a alcançar a purificação de si mesmo, dos demais e do mundo inteiro.
Descrevendo a cronologia da sua marcha pessoal em direção á sabedoria,
Confúcio disse: "Aos 15 anos meu coração concentrou-se com rigor nos estudos, aos 30 anos pude manter-me em pé, aos 40 abandonaram-me as dúvidas, aos 50 anos conheci o Decreto dos Céu. Aos 60 anos, meus ouvidos abriram-se docemente para a Verdade, aos 70 anos pude seguir os desejos do meu coração sem transgredir nunca com a regra. Aplicai o vosso coração ao Tao (a doutrina).. Que maravilhoso seria aprender pela manhã o que é o Tao e morrer pela tarde

O significado do Tao
O vocábulo Tao tem um sentido muito próprio que é Caminho, via, mas ele significa também dizer donde deriva o sentido de doutrina O Tao, evoca antes de tudo a imagem de um caminho que se há a seguir e a idéia de direção de conduta, de regra moral ", mas também " a arte de pôr em comunicação o Céu e a Terra, as forças sagradas e os homens Para o pensamento filosófico e religioso comum, Tao é o princípio de ordem em todos os domínios correspondentes ao real, fala-se do Tao Celeste e do Tao da Terra como também do Tao do Homem. Entre o Tao Celeste e o Tao da Terra existe uma oposição mais ou menos como o yang e o yin. O yang sugere a idéia de exposição ao sol e de calor, por seu lado o yin evoca a idéia de frio e encoberto, é aplicado ao que é interior.
O Tao do Homem exerce a função de intermediário entre o Céu e a Terra.
Segundo um fragmento cosmogónico, o Tao é designado como sendo um ser indiferenciado e perfeito, nascido antes do Céu e da Terra. O ser indiferenciado e perfeito é interpretado por um hermeneuta do século II a.C. como a misteriosa unidade do Céu e da Terra, que constitui de uma forma caótica ( huen-tuen ), a condição do bloco de pedra não trabalhado Sendo assim, o Tao poderá ser considerado como a totalidade primordial, viva e criadora, mas sem nome e sem forma. O que não tem nome é origem do Céu e da Terra, e o que tem nome é Mãe dos dez mil seres, isto está escrito noutro fragmento cosmogónico. O Tao expressa noções que prolongam a imagem cosmogónica. É importante referir alguns como: O caos ( huen-tuen ), o vazio (hsu ), o nada ( wu ), o grande ( ta ), e o um ( i ).

Tao - O Que É?
Para entender por que o taoísmo e o confucionismo vieram a exercer tão profunda e duradoura influência sobre o povo chinês, bem como sobre o do Japão, da Coréia e de outras nações circunvizinhas, é necessário entender algo do conceito fundamental chinês do Tao. A palavra em si significa "caminho, estrada, ou vereda". Por extensão, pode também significar "método, princípio, ou doutrina". Para os chineses, a harmonia e o funcionamento ordeiro que perceberam no universo eram manifestações do Tao, uma espécie de vontade ou legislação divina que existe no universo e o regula. Em outras palavras, em vez de crerem num Deus Criador, que controla o universo, eles criam numa providência, uma vontade do céu, ou simplesmente o próprio como a causa de tudo.
Aplicando o conceito do Tao a assuntos humanos, os chineses criam pessoa deve que existe um modo natural e correto , para realizar todas as coisas, e que tudo e todos têm seu devido lugar e sua devida função. Por exemplo, eles criam que, se o governante cumprisse seus deveres tratando o povo com justiça e cuidando dos rituais sacrificiais pertinentes ao céu, haveria paz e prosperidade para a nação. Similarmente, se as pessoas se dispusessem a buscar o caminho, ou Tao, e o seguissem, tudo seria harmonioso, pacífico e eficiente. Mas, se elas o contrariassem, ou lhe resistissem, o resultado seria o caos e o desastre.
Este conceito de seguir o Tao e não interferir em seu fluxo é um componente central do pensamento filosófico e religioso chinês. Pode-se dizer que o taoísmo e o confucionismo são duas expressões diferentes do mesmo conceito. O taoísmo faz uma abordagem mística, e, em sua forma original, defende a inação, a quietude e a passividade, evitando a sociedade e retornando à natureza. Seu conceito básico é que tudo sairá bem se as pessoas se acomodarem, nada fizerem, e permitirem que a natureza siga seu curso. O confucionismo, por outro lado, faz uma abordagem pragmática. Ensina que a ordem social será mantida se toda pessoa desempenhar o papel que lhe cabe e cumprir com o seu dever.

Lao Tzu
Lao Zi (?? L?ozi, também escrito e pronunciado Laozi, Lao Tzu, um famoso filósofo chinês que viveu aproximadamente no Século VII a.C., durante as Cem Escolas de Pensamento e o Período dos Reinos Combatentes. A ele é atribuída a autoria de uma das obras fundamentais do Taoísmo: o Tao Te Ching (???). Alguns consideram Lao Zi um personagem mítico, no limite das lendas. Seu nome quer dizer "O velho", ou "velho Mestre". Uma lenda conta que ele nasceu com a aparência de um velho, por isto teria recebido este nome. Muitos consideram que esta lenda pode ser interpretada como uma metáfora sobre a antiguidade do taoísmo, fundamentado em conceitos filosóficos tradicionais anteriores à própria redação do Tao Te Ching.

Biografia:
As poucas indicações que possuímos dele provêm de um historiador chinês chamado Tsu Ma Cheng, que publicou suas memórias entre os anos 99-90 a.C. De acordo com estas, Lao Tzu haveria nascido no ano 570 a. C. no reino de Tcheno qual pertencia a nobre família dos Lao Che.
Os filósofos chineses designam ao Taoísmo e ao Confucionismo, uma origem anterior ao que em geral se admite no Ocidente. As obras de Lao Tzu encontram-se parcialmente inspirado no livro das Mutações chamado I Ching sendo este considerado como a essência do pensamento da cultura e da sociologia da China antiga.
Historicamente se sabe muito pouco sobre a vida desse Mestre e, na opinião de alguns estudiosos, absolutamente nada, mas como fontes gerais de informações se menciona o Shi Chih de Tze machien, o Tao Teh Ching recopilado por Yin Si, o Lien Hgien Chuen de Koo Hung (século IV), o livro da Ascensão ao Oeste.
Mitologicamente conta-se o nascimento de LAO TZU de uma forma totalmente anormal, para nosso entender racional e especulador. Teve um nascimento extraordinário ao existir no ventre de sua mãe durante 72 anos. Havendo ela alcançado a idade de 161 anos, sentou-se para repousar em uma cerejeira. Estando o sol ao zênite, emanou um ovo de cinco cores do tamanho de uma pérola (símbolo chinês da longa vida), que penetrou a boca da anciã a qual deu a luz a um menino-ancião e barbado, o qual disse à sua mãe : "desta árvore tomarei meu nome." Assim, o mito quer dizer que seu apelido Li-Er não apenas seja traduzido como orelhas compridas (ou que escuta muito) como também, orelhas de cereja (Li= Cereja).
Quando o povo soube de tão estranho nascimento, acreditaram que o menino ancião era um demônio (segundo alguns um Dragão, símbolo de sabedoria) e queriam matá-lo, mas um certo homem chamado Lin Poi o salvou.
Algumas versões taoístas mencionam este enigmático personagem como uma grande alquimista ou uma mago, e outros como próprio Pai de Lao Tzu.
Entretanto, este mito é a única versão que se refere ao LAO TZU e sua vida. Podemos dizer a grasso modo que todo nascimento narrado dessa forma fantástica, como nascimento do Menino Jesus e o nascimento de Sidarta Gautama, o Buda, é simplesmente uma forma de encobrir o verdadeiro nascimento de um ser que de humano, só tem o corpo.
A única forma em que o povo chega a compreender estes nascimentos é através de mitos e lendas, cobertas por um ar de mistério, a fim de que a imagem de tão elevado ser não seja algo de todo o tipo de formas negativas, desde os planos sutis até os planos mais materiais.
Semelhante ao menino Jesus, Lao Tzu, também foi perseguido e trataram de eliminá-lo fisicamente, a fim de não permitir, que se manifestassem entre os homens um novo ser espiritual. Havendo nascido o menino-ancião, diz-se que em nove dias trocou de forma, nove vezes, até aparecer como um homenzinho velho, vestido com as vestimentas dos filósofos.
Trataremos de dar uma explicação sobre todo este mito a fim de que possa ser mais bem entendido seu símbolo. Quando na China fala-se que o menino é velho, estão dando caráter de que ele não tem mais nada que aprender neste mundo; igualmente na Índia, o fato de ter os olhos pequenos e as orelhas grandes como o elefante simboliza que não se necessita olhar nada, porém que se escuta muito (símbolo este do homem sábio).
Lao Tzu também tinha as orelhas grandes, seu nome poderia ser traduzido como velho mestre ou velho filósofo; grande solitário que vagava pelos bosques desertos e evitava todos os contatos com as outras pessoas. Conta-se que em umas de suas caminhadas encontrou-se como famosíssimo mago Tei Yih Yuen Chuen o qual lhe mostrou as artes mágicas e alquímicas.
O ovo do tamanho de uma pérola, proveniente do Sol, (quando este está no seu apogeu), nos mostra uma clara alusão de qualidade de um ser tipicamente Solar, assim como aparece em toda a grande civilização um governante, descendente direto de um casal mitológico onde o Sol ocupa proeminentemente a posição central.
A fecundação de sua mãe é idêntica à fecundação de Maria, a mãe de Jesus. Os cristãos falam do Espírito Santo (energia pura emanando mais alto, ou seja, a fonte de vida e de luz que pode ser o Sol Espiritual, sede da mais elevada consciência planetária).
Os Taoístas falam que a mãe o teve 72 anos dentro de seu ventre.
Que ele nasceu velho; ora o menino Jesus com menos de 12 anos já discutia com os sábios daquele tempo, também era velho.
Na verdade o nascimento de uma pessoa não se dá somente no corpo físico e sim também acontece anteriormente, no plano mental e anteriormente nos planos mais sutis da natureza, pois se entende que o ser humano e mais ainda estes seres divinos, que vêm a este mundo para cumprir uma função determinada visando o advento do mundo espiritual nesta terra, tomam suas formas e suas qualidades dos arquivos espirituais da natureza, formando primeiro seus corpos sutis, para logo mais tarde concretizar o corpo físico que nada mais é que uma sombra da parte espiritual.
As cinco cores da pérola estão representando as cinco qualidades dos mestres que estão ligadas diretamente às cores de cada um de seus corpos. O número cinco tem a ver com o quinto princípio que no homem comum não está acordado, a Mente Pura, refletida por Lao Tzu, no Tao Te Ching sua obra magna.
Também, (de acordo com a mística Budista tibetana) quando um mestre atinge o Maximo de desenvolvimento espiritual para tomar uma forma humana ou para se desvencilhar da forma humana seu corpo ilusório transforma-se num corpo de "arco íris" ou um corpo de cinco cores, (as cores dos cinco elementos).
Também as cinco cores representam as cinco sabedorias completamente realizadas.
Com relação à sua vida encontramos referências de uma viagem à Índia e ao Tibete, e ainda como arquivista no ano 517 a.C., no estado de CHOU sob o príncipe Kung Wang, quando teve a célebre entrevista com Confúcio.
Entre seus ditos mais famosos encontramos:
"Os demais são felizes como se assistissem a um banquete, ou como se subisse a uma torre em primavera. Eu somente permaneço quieto; meus desejos não se expressam. Sou como uma criança que jamais sorriu. Estou triste e abatido igualmente àquele que não tem um sítio ou refúgio".
Os demais possuem mil coisas supérfluas, porém eu pareço haver perdido tudo. Meu espírito é o de um estúpido, que confusão!
Os demais têm o ar de serem inteligentes, eu em troca, pareço ser um idiota. Os outros apresentam saber discernir, eu demonstro ser uma nulidade completa, sou arrastado pelas ondas sem poder agarrar-me a alguma parte. Os demais ocupam cargos e desempenham funções, eu sou tão inepto como um rústico, entretanto me diferencio dos demais porque eu venero ao Tao"

Idéias de Lao-Tzu
Lao-Tzu convida os chefes políticos e militares a comportarem-se como Taoístas, é claro que o que ele quis dizer foi, para eles seguirem o modelo do Tao como exemplo
Lao-Tzu crítica e rejeita o sistema confuciano, isto é, a importância dos ritos, o respeito dos valores sociais e o racionalismo.
"Renunciemos à Caridade, rejeitemos a Justiça, o povo reencontrará as verdadeiras virtudes familiares de forma natural e espontânea"
Para os confucionistas, a Caridade e a Justiça são as maiores virtudes, mas Lao-Tzu pensa de maneira diferente, vê nessas virtudes atitudes artificiais que são inúteis e perigosas.
Segundo ele, quando se abandona o Tao, recorre-se à Caridade, quando se abandona a Justiça recorre-se aos Ritos. LaoTzu diz que os valores sociais são ilusórios e nocivos, e que a ciência discursiva leva à destruição do ser e estimula a confusão, atribuindo assim, um valor às noções relativas.
"É por esse motivo que o Santo se refugia na inação ( wu-wei ) e distribui generosamente um ensino sem palavra."
Apesar do Taoísmo originalmente ignorar um Deus Criador, os princípios do Tao, eventualmente tem o conceito de Deus. Lao-Tzu escreveu: Antes do Céu e da Terra existirem, havia algo de nebuloso... Eu não sei o seu nome, eu chamo-o de Tao.

As Fontes Clássicas do Taoísmo
As fontes clássicas do taoísmo são o Tao- Te Ching de Lao- Tzú. A lenda situa o nascimento de Lao-Tzu entre 571 e 604 a.C.
No entanto, em relação ao nascimento do Tao-Te Ching Clássico do caminho da virtude ", as opiniões já são mais divergentes, há autores que preferem a versão tradicional, mas, existem outros que centram o seu nascimento numa data de composição bastante recente, 240 a.C.
O Tao-Te Ching proclama a supremacia do nada sobre o ser, do vazio sobre o cheio, isto não deve ser entendido como uma negação de vida, uma vez que os objetivos mais recentes do Taoísmo é a obtenção da imortalidade. O ser humano é a imagem do universo, animado por um sopro primordial dividido da seguinte forma: Em yin e yang, masculino e feminino, e Terra e Céu. Estas são as manifestações que estão por trás de um sopro que se encontra escondido.
" Lao-Tzu cultivava o Tao e o Te, segundo uma doutrina, o homem deve procurar viver escondido no anonimato ". O viver distante da via pública e desprezar honrarias seriam precisamente o contrário do homem proposto por Confúcio. No que diz respeito à existência " escondida e anônima " de Lao- Tzu explica a falta de qualquer informação em relação à sua respectiva biografia
Conforme diz a tradição, ele foi durante algum tempo arquivista da corte dos Tcheu, encontrava-se em grande desânimo em relação à casa real, por esse motivo fez renúncia ao cargo e partiu para Oeste. Quando estava prestes a atravessar o passo Hien -Ku, redigiu, a pedido do Guarda, " uma obra de duas partes, na qual expunha as suas idéias sobre o Tao e o Te e que continha mais de 5500 palavras, depois partiu e ninguém sabe o que foi feito dele ".
O livro que continha mais de 5 mil palavras era o famoso Tao Te Ching , o texto mais profundo e o mais enigmático de toda a literatura chinesa, mas não sabemos quem foi o seu autor nem a data que foi escrito, as opiniões são contraditórias.
O Tao Te Ching exprime um pensamento coerente e também original, contém uma quantidade de conceitos dirigidos aos soberanos e aos chefes políticos e militares.
Lao- Tzu afirma que os negócios do Estado só podem ser administrados com sucesso se o príncipe seguir o caminho do Tao, ou seja, se praticar o método wu- wei, o " não fazer " ou o " não obrar ". Porque Tao permanece sempre inativo e não existe nada que ele faça É por esse motivo que o Taoísta jamais intervém no curso das coisas

Os Taoístas e a Alquimia
Certos ritos e mitologias dos metalúrgicos, fundidores e ferreiros foram retomados e reinterpretados pelos alquimistas. As concepções arcaicas relativas aquecimento dos minerais no ventre da Terra, à transformação natural dos metais em ouro, assim como ao complexo ritual Ferreiros-confrarias iniciatórias de ofício, voltam a ser encontradas na doutrina dos alquimistas.
A alquimia chinesa constitui-se como disciplina autônoma, utilizando os princípios cosmológicos tradicionais, os mitos relacionados com o elixir da imortalidade e os Santos Imortais, e as técnicas que visam ao mesmo tempo, o prolongamento da vida, a beatitude e a espontaneidade espiritual.
Os três elementos (princípios, mitos e técnicas), pertenciam ao legado cultural da proto-história, e seria um erro acreditar que a data dos primeiros documentos que os atestam nos informe também acerca da sua idade

De Filosofia a Religião
Na sua tentativa de estar em comunhão com a natureza, os taoístas tornaram-se obsedados com a perenidade e a resiliência da natureza. Especulavam que, se a pessoa vivesse em harmonia com o Tao, ou o caminho da natureza, ela talvez pudesse de algum modo penetrar nos segredos da natureza e tornar-se imune ao dano físico, a doenças e até mesmo à morte. Embora Lao-tzu não insistisse nisso, certos trechos em Tao Te Ching parecem sugerir tal idéia. Por exemplo, o capítulo 16 diz: "Estar em comunhão com o Tao é eterno. E, embora o corpo morra, o Tao jamais perecerá."'
Chuang-tzu também contribuiu para tais especulações. Por exemplo, num diálogo em Chuang Tzu, um personagem mitológico perguntou a outro: "És de idade avançada, no entanto, tens a pele de criança. Como pode?"
Este último respondeu: "Eu aprendi o Tao." Sobre outre filósofo taoísta, Chuang-tzu escreveu: "Ora, Líehtse podia cavalgar no vento. Deslizava feliz na fresca brisa, continuaria por quinze dias antes de retornar. Entre os mortais que conseguem a felicidade, tal homem é uma raridade."
Histórias assim acenderam a imaginação dos taoístas, e eles passaram a fazer experiências com meditação, dietas e exercícios respiratórios que supostamente podiam retardar a degeneração e a morte física. Logo começaram a circular lendas a respeito de seres imortais que podiam voar sobre as nuvens e aparecer e desaparecer a seu bel-prazer, vivendo em montanhas sagradas ou em ilhas remotas por incontáveis anos, sustentados pelo orvalho ou por frutas mágicas. A história chinesa conta que em 219 a.C., o imperador Ch'in, Shih Huang-Ti enviou uma frota de navios com 3.000 meninos e meninas para encontrar a lendária ílha de P'eng-lai, a morada dos imortais, para trazer de volta a erva da imortalidade. Desnecessário é dizer, eles não retornaram com o elixir, mas, diz a tradição, povoaram as ilhas que vieram a ser conhecidas como Japão.
Durante a dinastia Hã (206 a.C.-220 d.C.), as práticas mágicas do taoísmo atingiram um novo apogeu. Consta que o imperador Wu Tí, embora promovesse o confucionismo como ensino oficial do Estado, sentia-se muito atraído ao conceito taoísta da imortalidade física. Entusiasmou-se especialmente com as engendradas 'pílulas da imortalidade' da alquimia. No conceito taoísta, a vida surge quando as forças opostas yin e yang (feminina e masculina) se unem. Assim, fundindo chumbo (escuro, ou yin) com mercúrio (claro, ou yang), os alquimistas estariam imitando os processos da natureza, e o produto, pensavam eles, seria uma pílula da imortalidade. Os taoístas também desenvolveram exercícios tipo ioga, técnicas de controle da respiração, restrições dietéticas e práticas sexuais que alegadamente fortaleciam a energia vital da pessoa e prolongavam a vida. Sua parafernália incluía talismãs mágicos que, segundo se dizia, tornavam a pessoa invisível e invulnerável a armas, ou a capacitavam a andar sobre água au a voar no espaço. Tinham também selos mágicos, usualmente contendo o símbolo yin yang, que eram afixados em prédios e sobre o vão de portas para repelir maus espíritos e feras.

Por volta do segundo século EC, o taoísmo tornara-se organizado. Um certo Chang Ling, ou Chang Tao-ling, fundou uma sociedade taoísta secreta na China ocidental e praticava curas mágicas e alquimia. Visto que de cada membro se cobrava uma taxa de cinco celamins de arroz, seu movimento ficou conhecido como Taoísmo dos Cinco-Celamins-de-Arroz (wu-tou-mi tao). Afirmando ter recebido uma. revelação pessoal de Lao-tzu, Chang tornou-se o primeiro "mestre celestial". Por fim, afirmou-se que ele conseguiu fazer o elixir da vida e que ascendeu vivo ao céu, montado num tigre, a partir do monte Lung-hu (Monte do Tigre-Dragão), na província de Kiangsi. Com a presença de Chang Tao-ling ali teve início uma sucessão, de séculos de duração, de "mestres celestiais" taoístas, cada qual sendo alegadamente uma reencarnação de Chang.

Fundação da Religião Taoísta
A religião Taoísta " Tao Kiao ", foi fundada, por volta do final do século II A.D., por Chang Tao-ling. Chang subiu ao Céu e recebeu o título de " Senhor Celeste " ( t'ien shih ). Instaurou numa província chamada Sseu-tch'uan uma teocracia na qual se destacavam os poderes temporal e espiritual.
Há uma esperança de regeneração do Tao que caracteriza um movimento Taoísta, é a seita de T'ai-p'ing " A Grande Paz ". Por volta de 184, o líder de uma seita que se chamava Chang Chuen, anunciou a iminência da renovação e diz que o " Céu Azul " devia ser " Céu Amarelo " (era precisamente por esse motivo, que os fiéis usavam turbantes amarelos). Como era de esperar, desencadeou-se uma revolta que quase derrubou a dinastia. Esta foi sufocada pela intervenção das tropas imperiais, no entanto, a febre messiânica prolongou-se durante toda a Idade Média. O último líder dos " Turbantes Amarelos " foi executado em 1112.
Podemos dizer, que foi precisamente a partir do século II que se desenvolveu uma vasta gama de tradições religiosas na China. O Taoísmo baseia-se no sistema politeísta e filosófico de crenças que assimilam os antigos elementos místicos e enigmáticos da religião popular chinesa, como o culto aos ancestrais, os rituais do exorcismo, a alquimia e a magia.

Tao Te Ching
No Tao Te Ching se manifesta em forma muito clara este princípio:
O homem segue a Lei da terra.
A terra segue a Lei do céu.
O céu segue a lei do Tao.
O Tao segue sua própria Lei" (Tao Teh King, Canto XXV)
É a eterna luta entre espírito e matéria. Na ordem dos valores morais, é a negação de todos os valores, é a revisão de todas as escalas de julgamento e discernimento. Tao é a afirmação de que tudo é instável e sujeito a impermanencia porém, ao mesmo tempo eterno. É o hálito cósmico realizando-se em todas as coisas e em todos os seres. O que é sua própria Lei? Sua própria Lei é a Lei da Natureza a qual consiste em dois aspectos: O movimento do Tao consiste em Retorno". O uso do Tao consiste em suavidade" (Cap. 40) Por esta mensagem devemos compreender que o Tao necessita mover-se. Sem seus movimentos não há Universo. Com seus movimentos deve haver mudança e com mudança, há Retorno

Assim Lao Tzu disse:
"Enquanto todas as coisas se agitam".
Eu apenas contemplo o Retorno." (Cap. 16)

De acordo com Weng Shan Huang, em seu "Fundamentos do Tai Chi Chuan", "retorno ou reversão" é a Lei da Natureza e Cultura que tem sido defendida tanto por Lao Tzu como pelo I Ching (o livro das mutações), interpretado pelos Confucionistas. "Quando o desenvolvimento de qualquer coisa chega a seu extremo, o retorno ao outro extremo toma lugar; esta é a dialética de Hegel; tudo envolve sua própria negação. Na vida social, como apontado por Derk Bodde. Esta teoria tem um grande efeito sobre o povo chinês e contribuiu muito para a superação de muitas dificuldades que encontraram através de sua longa história."
Lao Tzu também enfatiza a Lei da Suavidade quando afirma:
Quando um homem está vivo, é suave e flexível".
Quando morre, se torna rígido e duro.
Quando uma planta está viva, é suave e tenra.
Quando morre, se torna dura e quebradiça.
Assim o duro e rígido são qualidades de morte.
O macio e flexível são qualidades de vida." (Cap. 75 - Tao Teh King)
E o que tem sido considerado um lema para os praticantes das Artes Marciais Chinesas de Linha Interna é: "A suavidade de todas as coisas anula a dureza de todas as coisas." (Cap. 43 - Tao Teh King)
Os seguidores de Lao Tzu enfatizam os símbolos da "água" e do "feminino", devido a que a água é complacente e o feminino é receptivo e passivo, qualidades importantíssimas cultivadas pelos Artistas Marciais mais sinceros.
Lao Tzu disse:
"A mais alta forma de bondade é como a água".
A água sabe como beneficiar todas as coisas sem lutar com elas" (Cap. 8)
"Conhecer o masculino",
Conservar o feminino." (Cap. 28) Assim os conceitos de "Complacência" ou "Docilidade" tiveram grande importância na sociedade chinesa, influenciando sua cultura em todos os aspectos, dando inclusive uma espécie de receita para a sobrevivência a partir da suavidade.
A este respeito, adverte Lao Tzu:
"Esforce-se e você será completo",
Curve-se e você estará ereto,
Envelheça e você ganhará,
Tenha muito e você ficará confuso." (Cap. 22 - Tao Teh King)
O objetivo primeiro dos taoístas é a aquisição da imortalidade: HSIEN. Criaram diversas técnicas para impedir o processo de envelhecimento e até de fazer que o organismo volte à mesma condição de quando era jovem. Preparavam-se assim com uma quantidade enorme de treinos:
      1.Técnicas Respiratórias
      2.Técnicas Helioterapêuticas
      3.Técnicas de Ginástica
      4.Técnicas Sexuais
      5.Técnicas Farmacêuticas
      6.Técnicas Dietéticas.

E, dentro desta filosofia, podemos concluir que o Taoísmo como religião nos demonstra magnificamente que "O Destino de mim mesmo de pende de mim e não do Céu", oferecendo ao homem a oportunidade de arcar com a responsabilidade de sua própria existência...
Sua influência então, sobre as Artes Marciais da China, parte principalmente de sua idealização a respeito da mente e espírito assim como a Lei da Natureza e práticas de longevidade que fortalecem muitíssimo a seus praticantes.

Pensamento dos Filósofos Taoístas
É importante mencionar que tanta os filósofos Taoístas como os eremitas e os iniciados têm como objetivo a busca da longevidade e a imortalidade, procuram restabelecer uma condição paradisíaca, particularmente em busca da perfeição e da espontaneidade original.
Os elementos essenciais, comuns a todas as escolas Taoístas, era a exaltação da condição humana primitiva, já existente antes do triunfo da civilização.
Era precisamente, contra esse retorno à natureza que se levantavam todos os problemas pois queriam instaurar uma sociedade justa e policiada, governada pelas normas e inspirada em certos exemplos de reis que contribuíram de forma fabulosa para a nossa sociedade e os heróis- civilizados. No início os Taoístas pensavam que uma existência que fosse desenvolvida sob o signo do Tao era somente possível no começo.
No entanto, havia outros que diziam que este tipo de existência só era possível numa sociedade justa e civilizada. Os taoístas conhecem várias técnicas capazes de prolongar indefinidamente a vida até obter uma imortalidade física A busca de longa vida faz parte da busca do Tao. Porem não aparece em nenhum registro que o próprio Lao Tzu tenha aderido muito a estas idéias.
A técnica taoísta do êxtase é origem e estrutura xamânica. Durante o transe, a alma do xamã liberta-se do tempo e do espaço: voa para o Centro do Mundo, regressando assim à época paradisíaca de antes da queda, quando os homens podiam subir ao Céu e conversavam com os Deuses.
A viagem de Lao-Tzu à origem das coisas constitui uma experiência mística de outra ordem, pois transcende os condicionamentos que caracterizam a condição humana e, por conseguinte, altera radicalmente o seu regime ontológico.

Conceito de Alma para o Taoísmo
O problema da alma para o Taoísmo é um assunto complexo, pois aparece numa linguagem esotérica que dá origem a diversas interpretações.
Evidentemente, o Taoísmo aceita a ação de uma alma, pois dentro de sua filosofia, existem os mortais, mas o tema se complica quando queremos determinar as características desta alma.
Dentro das duas grandes linhas do universo dualista, o que determina o Taoísmo, a alma do homem também é Dual. Estaria formada por duas partes, uma partícula de substância Yang e uma de substância Yin. A substância de energia Yang é chamada Shen que após a morte retorna ao Céu e se funde ao Espírito Universal; e a partícula de substância Yin depois da morte fica ao nível da terra e dá origem aos diversos espíritos subalternos do Taoísmo.
Existem autores que deduzem dos textos taoístas a noção de uma alma tripla, afirmando que são as seguintes partes que a compõem:
SHEN, as partes etéreas, opostas à parte material do corpo humano;
CHI, o instinto de vida que se transforma em matéria viva;
CHING , a mente ou espírito animal ou consciência.
Da diferente porção destes três elementos, resultam os diversos seres; assim, os que contêm CHI são corpos minerais, os que contêm CHI e CHING são os corpos vegetais e animais inferiores, e aqueles que possuem CHING, CHI e SHEN são os seres humanos.
A morte é para o Taoísmo a separação do corpo da Alma. Alma e corpo gastam-se em sua vã luta pela existência sendo que do esgotamento de um e de outro, sobrevêm a morte que faz com que SHIEN se separe e retorne ao Tao original. Desta premissa flui logicamente a receita Taoísta para obter a imortalidade; é necessário não lutar, não gastar, não agir. Não esgotar o corpo com esforços inúteis, nem a alma com desejos tolos ou ambições.

Budismo:
Apostila 1

O Buda Disse:
"Minha Doutrina implica o pensar que está além do pensamento:
Executar aquilo que está além da execução:
Falar de aquilo que está além das palavras:
Praticar aquilo que está além da prática"
Aqueles que podem chegam a isto progridem, não entanto que os estúpidos voltam.
A Via que pode expressar-se me palavras é pequena; nada há que possa ser apreendido.
Se estiverdes equivocados por tão pouco como a milésima parte de um cabelo, num instante perdereis o Caminho"
Do Sutra de 42 Partes.
Nascimento de Sidarta Gautama.
No ano 624 antes de Cristo, num pequeno reino, nascia um menino especial, que ofereceria ao mundo uma doutrina capaz de libertar ao ser humano do sofrimento. Sidarta Gautama ou Sakyamuni um nome composto que significa: "Sakya" que correspondia ao nome da família real no seio da qual ele nasceu, e "Muni" que quer dizer o Capaz. Seu lugar de nascimento chama-se Lumbini, situado originalmente ao norte da índia, hoje território pertence ao Nepal. Sua mãe chamava-se Mayadevi nome composto que significa Ilusão Luminosa" e o nome de seu pai era Shuddodana.
Mayadevi teve um sonho no qual via que um elefante branco vinha visitá-la, este elefante não vinha sobre a terra e sim do céu. O Fato de este elefante ingressar no seu útero simbolizava que tinha concebido uma criança pura e poderosa.Basicamente sempre na Índia o elefante simboliza a sabedoria, porém a Rainha sabia que era do céu Tushita a terra pura onde habita o Buda Maitreya, Ao compreender que o momento do nascimento da criança estava perto, a Rainha pediu para seu esposo que a levasse a casa de seu pai. O Rei concordou e quando estavam atravessando o Jardim de Lumbini, chegou a hora: foi preparado então um leito sob uma arvore que (segundo conta à tradição oral) curvou-se para dar sustento a rainha na hora do parto. A tradição oral conta que no momento de dar a luz à criança a Rainha não sentiu as dores do parto, e teve uma visão muito especial e pura , na qual ela estava segurando o galho desta arvore que se curvou para ajuda-la enquanto Brama e Indra tiravam uma criança de seu lado direito. Também viu que os Lipikas (anjos no misticismo cristão) aqueles que estão associados com a reencarnação e o Karma desceram dos seus mundos para segurar os varais dos palanques que o Pai, o Rei Shuddhodana, tinha mandado construir para transportar seu filho até o palácio.
Estes anjos ocultaram seu esplendor, vestiram roupas humildes de carregadores a fim de adorar o futuro príncipe da humanidade. Teve também uma visão de que este menino andou sete passos e que a cada passo dado nascia uma flor de loto, símbolo do homem que estando no mundo (simbolizado pelas raies na lama) e completamente puro e imaculado (simbolizado pela própria flor, que nascendo no meio do lodo na suas pétalas não pode aderir nenhuma partícula de pó ou qualquer tipo de sujeira). Este é o motivo pela qual todos os Budas e Bodhisatwas são sempre representados descansando seus pés encima de lotos. Naquele tempo morava perto do palácio um Rishi (Vidente da Verdade) chamado Asita, levava no bosque uma vida de santo eremita. Também era um Sacerdote ou Bramam, cujos ouvidos estavam fechados para a vida mundana e somente aberta para os sons celestiais.
Através de sua profunda meditação escutou os cânticos dos Devas (anjos), adorando o novo ser que tinha nascido.
Por sua idade, pelos intensos jejuns, pelo seu ascetismo e poderes da clarividência era considerados muito sábio e fiel interpretador de sonhos e presságios de homens puros.
Por ter esta fama o Rei o mandou chamar para ver o Príncipe Sidharta (nome dado pelo pai ao nascer). Quando o velho o contemplou não pode conter as lágrimas e suspirou profundamente. Rei ao ver este homem santo chorar e suspirar ficou profundamente assustado e perguntou-lhe: Que vistes em meu filho que hás ficado tão magoado.
Mas o velho asceta não estava chorando de pena e sim de gozo, porém quando viu a grande preocupação que tinha causado ao rei disse:
"O rei qual lua em sua plenitude, deve sentir alegria sua Majestade porque gerou um filho de maravilhosa nobreza, não adoro Brama, porque adoro este menino, ao qual os próprios Deuses abandonaram para virem adora-lo".
Afasta todo tema de dúvida, afasta todo temor. Os presságios espirituais indicam que o recém nascido veio para salvar o mundo " Mas lembrai-vos de que sou velho e que não pude conter as lágrimas; pois meu fim se aproxima. A pureza de sua doutrina se assemelhará à margem que recebe o naufrago; seu poder de meditação será como a frescura de um lago, e toda criatura inflamada no ardor da luxuria, se tranqüilizará espontaneamente.
Ele abrirá as pesadas portas do desespero e livrará a todas as criaturas da trama das redes que elas mesmas teceram na sua loucura e ignorância. Ele apareceu para liberar da escravidão os miseráveis e desesperados. E terminou falando "Criança eu te adoro. Es ele. Vejo a luz rosada impressa na planta de seus pés, o suave desenho da suástica, os trinta e dois sinais sagrados e os oitentas secundários. Tu serás Buda, pregarás a Lei e salvarás a todos os que aprenderem". Depois disse a Rainha: "mãe do menino, doce rainha amada dos deuses e dos homens. Devido a este magno acontecimento já estás demasiado sagrada para continuar sofrendo. Como a vida é sofrimento daqui a sete dias chegarás sem dor ao fim da dor".
Passados os sete dias e vendo que a hora tinha chegado, a mãe de Sidharta chamou sua irmã Pradjapati e disse: "A mãe que deu a luz ao futuro Buda, não terá outro filho. Eu abandonarei este mundo, o rei meu esposo e meu filho Sidharta. Quando eu não mais existir, seja a mãe dele". Na mesma noite a rainha dormiu sorrindo e não despertou mais de seu sonho.

Vida de Sidarta Gautama
Conforme crescia, o jovem príncipe dominava todas as artes e ciências tradicionais sem precisar de muito esforço. Conhecia sessenta e quatro línguas, cada qual em seu próprio alfabeto, além de ser perito em matemáticas.
A pedido do pai ingressou numa escola onde apreendeu varias artes em especial o manejo do arco e flecha e as artes marciais, encorajando constantemente seus amigos a viver de acordo com as regras da espiritualidade e da moralidade. Ainda jovem casou-se com a filha de um rei chamado de Yasodhara com que teve um filho chamado Rahula. O Pai tinha mandado construir palácios diferentes em composição e tamanho para afrontar as estações do ano. Um palácio de cedro quente para o inverno, outro de mármore para o estio e outro de ladrilhos cozidos para o outono.
Uma vez instalados nos palácios o pai tentou de afastar pouco a pouco tudo o que lembrasse dor e aflição deste mundo, a fim de que o príncipe ignorasse os males do mundo. Porém o destino de Sidharta faz com que escute uma melodia triste dentro do seu palácio produzindo este sentimento estranho chamado melancolia. Esta melancolia tornou-se tão forte que se transformou em profunda dor, e ao não saber o que estava acontecendo com ele o príncipe sente uma intensa necessidade de sair do palácio para conhecer o que estava além dos muros.
Foi assim que o pai mandou afastar os mendigos, doentes e velhos e mandou que todas as casas fossem enfeitadas com cortinas e bandeiras. Quando Sidharta passou por um determinado lugar, encontrou-se frente a frente com dois homens velhos. Perguntou ao cocheiro: "Quem é esse? Sua cabeça branca, seus olhos tremem e tem o corpo maltratado, apenas pode sustentar-se com o seu bastão...". Cocheiro aflito decidiu contar-lhe a verdade e respondeu: - "Esses são os sinais da velhice. Esse homem foi uma criança, depois um adolescente cheio de entusiasmo e de prazer, porém, os anos passaram; agora seu porte desapareceu e seu vigor não existe mais". Profundamente aflito pelas palavras do cocheiro Sidharta suspirou e disse pari si mesmo: Que gozo e que prazer podem experimentar os homens quando sabem que a velhice virá e os fará sofrer e caminhar penosamente. Após estas reflexões e com seu espírito profundamente perturbado, se depara com outra visão, à de um homem enfermo, ofegante, desfigurado pela dor e a lepra, convulsa e gemendo de dor. O príncipe indagou ao cocheiro: "Que classe de homem e esse?".
E o cocheiro tornou: esse homem está enfermo, os quatro elementos (Terra, fogo, água e ar) de seu corpo estão confusos e em desordem. Todos estamos sujeitos aos mesmos acidentes: os pobres, os ricos, o ignorante o sábio, enfim, todas as criaturas que tem corpo estão sujeitas ao mesmo mal.
Sidharta comoveu-se ainda mais. Todos os prazeres lhe pareciam em vão e sentiu desgostos pelos prazeres da vida.
O Cocheiro percebendo o disposto e o estado de espírito do príncipe, fustigou os cavalos a fim de afastar-se o mais rápido possível do lugar em que estavam, porém o sábio destino quis que sua corrida chegasse pronto ao seu fim, mostrando ao príncipe o último espetáculo: um cortejo fúnebre.
Quatro pessoas levavam um cadáver e o príncipe enternecido ante a visão do corpo privado de vida, interrogou ao cocheiro:
"Quem são estas pessoas? o que levam?".
O cocheiro informou: Levam um morto, seu corpo está rígido, a vida fugiu dele e seu pensamento se extinguiu. Sua família e amigos levam seu corpo para o lugar de cremação.
O príncipe cheio de horror e espanto perguntou: "e isto uma condição excepcional ou há no mundo outros exemplos semelhantes?". Com o coração oprimido o cocheiro respondeu-lhe "Isto e igual para todos, todos os que nascem devem morrer algum dia, ninguém escapa da morte".
Com a voz apagada o príncipe exclamou.
"O! Homens mundanos, quão fatais é vosso erro. Inevitavelmente vosso corpo se transformará em pó e não obstante continuais vivendo descuidados e despreocupados".
Passado um tempo, o príncipe pede ao pai que o deixe olhar a cidade tal qual exatamente vem a ser e não como ele queria mostrar. Resultou que disfarçado de mercador junto com o seu cocheiro encontraram um cortejo fúnebre, no momento de cremação do cadáver.
Sidarta observou tudo isto enquanto o cocheiro lhe dizia que tudo o que o homem tinha vivido, sonhado, desejado, estava somente ali, num pouco de cinzas e que segundo ensinavam as doutrinas Brahmanicas ele iria renascer em outro lugar, em outros tempos, porém ninguém sabia onde, e, que esse renascer estaria caracterizado pelas mesmas inquietude, gozos e tristezas que caracterizaram a vida deste personagem, e, que outra vez a morte o tomaria para si a fim de que o homem descanse um pouco do sofrimento de viver neste mundo. Sidarta pensou então como seria possível que se Brama fosse tão poderoso e fosse o criador deste mundo, depois de tê-lo criado, como o abandonaria a desgraça?...Seria impossível a existência da desgraça, se Brama fosse onipotente e bondoso, porém ao não ser assim, portanto ele também está sujeito à vida e morte, por conseqüência não pode ser chamado de Deus.
Aos vinte e nove anos o príncipe teve uma visão na qual todos os Buddhas das dez direções apareceram diante dele e falaram ao uníssono, dizendo: "Tempo atrás havias decidido ser um Buddha conquistador para ajudar a todos os seres vivos que estão presos no ciclo do eterno sofrimento. Agora chegou o momento de realizares isto".
O príncipe imediatamente comunicou ao seu pai a decisão de se retirar para viver em meditação: "Pai desejo recolher-me a um lugar tranqüilo na floresta, onde possa engajar-me em profunda meditação e rapidamente atingir a iluminação. Depois de ter atingido a iluminação, eu serei capaz de recompensar a gratidão e bondade de todos os seres vivos, e em especial, vossa grande bondade comigo. Assim peço vossa permissão para abandonar o palácio".
Diante da negativa do pai, o príncipe Sidarta disse ao pai:
"Pai, se puderes me outorgar permanente liberdade diante dos sofrimentos do nascimento, da doença, do envelhecimento e da morte, permanecerei no palácio; mas se não fores capaz disto, terei de partir e tornar minha vida humana significativa".
Rei tentou por todos os meios de impedir que o príncipe pudesse abandonar o palácio, e para tal fim com a esperança de que o filho mudasse de idéia cercou-o de lindas moças, dançarinas, banquetes e todos tipo de encantos tentando seduzi-lo, porem esta tentativa somente dava mais força ao príncipe de realizar sua fuga.
Um dia após o pai ter reforçado a guarda, para evitar uma fuga secreta, Sidarta usa de seus poderes para induzir ao sono profundo tanto guardas como servidores, enquanto escapava do palácio com um auxiliar de confiança.
Depois de cavalgar nove quilômetros, o príncipe desmontou e se despediu do ajudante, cortou seus cabelos e os jogou-os ao céu para que fossem apanhados pelos deuses, tendo recebido em troca as túnicas de cor de açafrão dum mendicante religioso. Em troca o príncipe ofereceu uma vestimenta real. Deste modo tornou-se a si mesmo monge.
Depois durante um período de seis anos, treinou a meditação junto a um grande Rishi chamado Drang Song Nhonmongme, que quer dizer "O Sábio sem emoções". Durante este tempo estudou e dominou diferentes tipos de meditação e estados de absorção mundanos. Praticou o ascetismo junto com cinco ascetas que tinha encontrado nas suas peregrinações, procurou outros sábios e encontrou somente sutilezas intelectuais, porém quando meditava sobre o sofrimento percebia que todo intelectualismo era derrubado como uma folha ao vento, pois ninguém encontrava solução a este dilema. Como escapar ou como resolver o sofrimento humano. De tantas austeridade e meditação seu corpo foi reduzido a um esqueleto, ainda assim venceu o medo, domesticou os apetites da carne, desenvolveu as capacidades da concentração e da mente ao seu extremo. Porém ainda assim não conseguia a libertação verdadeira.
As margens de um rio enquanto ele fazia seus exercícios de meditação o sábio destino lhe faz escutar um ensinamento de um mestre de citara para seu aluno, onde este lhe explicava que para que a citara soasse corretamente ele não poderia nem esticar demasiado as cordas nem deixa-las completamente frouxas. Foi neste momento que ele encontra o caminho do meio, porque ao estar refletindo sobre a mente e a forma correta de meditar este ensinamento lhe outorgava a resposta certa. Imediatamente uma pastorinha lhe entregou uma cuia com arroz com leite e ao come-la compreendeu que de nada servia a mortificação do corpo.
Neste momento ele compreendeu que tanto o apego aos prazeres mundanos como as mortificasses levariam ao meditante aos estados neuróticos da mente.
Resolveu comer novamente, e sentindo-se descansado e refrescado sentou-se ao pé da arvore Bodhi em Bodhygaya onde numa noite de lua cheia do quarto mês do calendário lunar, e em postura de meditação jurou não emergir da meditação antes de atingir a perfeita iluminação.
Até que numa noite Devaputra Mara, o chefe de todos os demônios, ou maras, deste mundo tentou perturbar a concentração de Sidarta, conjurando varias aparições horríveis.
Manifestaram hostes de tenebrosos demônios, que atiravam flechas, lanças, flechas com fogo. Atirando pedras. Contudo Sidarta permaneceu silencioso e completamente impassível. Pela força de sua concentração e por estar sua mente limpa de todo ódio e noção de certo e errado, todas estas visões e acontecimentos se assemelhavam a chuva de flores perfumadas e o fogo transformava-se em Lucas de arco Íris.
Mara observou que o medo não iria perturbar Sidarta, em vez disso tentou distrai-lo manifestando grande número de belas mulheres que de todo modo tentavam seduzi-lo. Sidarta respondeu com uma concentração mais profunda.
Deste modo triunfou sobre todos os demônios deste mundo, motivo pelo qual tornou-se mais terce conhecido como "Buddha Conquistador"
Sidarta Gautama torna-se Buda ou um Iluminado.

Após ter vencido ao chefe dos demônios, Sidarta Gautama continuou meditando até o amanhecer, nesse momento ele contemplou seus anteriores nascimentos, sua causa e seu conseguinte sofrimento.
Esqueceu o eu egoísta que amarra ao homem aos seus caprichos, elevou sua consciência ao último degrau onde somente permanece a Luz que está mais além de todo pensamento, de toda construção conceitual, de toda dualidade.
Ao fim estando toda a terra silenciosa no momento da lua cheia, realiza o estado do completamente Aberto e Desperto. Sua mente torna-se completa e livre de qualquer obstrução. Acordando do sono da ignorância, eliminando as obstruções da mente, ele passa a conhecer tudo ao respeito do passado, do presente e do futuro, espontaneamente, simultaneamente, diretamente. Além disso, ele desenvolveu a compaixão, que é inteiramente imparcial e abarca a todos os seres sem discriminação. Após quarenta e nove dias após sua Iluminação os Deuses Brama e Indra lhe solicitam iniciar seus ensinamentos:
"O Buddha tesouro de Compaixão, a seres que somente possuem um pouco de pó nos seus olhos, eles estão ameaçados de cair nos reinos inferiores". Não há outro protetor que vós neste mundo. Assim por favor, emersa de sua profunda meditação e gire a roda do Dharma. Foi assim que Sidarta Gautama o Buddha inicia seu apostolado em prol da liberação do gênero humano fazendo girar a Roda do Dharma por três vezes.
As Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo Os Três Giros da Roda do Dharma
Conta-se que, em tempos remotos, existiam grandes reis, conhecidos como "Chakravatin", que regiam o mundo inteiro. Estes reis possuíam riquezas especiais, inclusive uma roda preciosa na qual viajavam ao redor do mundo. Onde quer que a roda preciosa fosse, o rei controlaria aquela região. Os ensinamentos de Buda são chamados de Roda do Dharma porque são comparados a esta roda preciosa - em qualquer lugar onde sejam difundidos, as pessoas dali terão a oportunidade de controlar suas mentes se puserem os ensinamentos em prática. "Dharma" significa "lei", "ensinamento" e "proteção". Praticando os ensinamentos de Buda, protegemo-nos contra o sofrimento. Todos os problemas que temos na vida cotidiana têm origem na ignorância, e a forma de eliminar nossa ignorância é praticando o Dharma.

O Primeiro Giro da Roda do Dharma
Sidarta Gautama, o Buda, pôs em movimento a Roda do Dharma pela primeira vez em Varanasi (Benares), uma cidade situada perto do rio Ganges. Naquele momento, enunciou o primeiro ciclo de seus ensinamentos diante dos cinco "rishis", ou os cinco iogues que tinham acompanhado o Buda durante os primeiros momentos de seu desenvolvimento espiritual. Eles foram ordenados diante de Buda. Quando Buda chegou a tal lugar, ali existiam quatro tronos, três dos quais estavam ocupados pelos Três Budas do Passado. Buda circumbalou os quatro tronos e sentou-se no quarto. Quando se sentou, os outros três desapareceram. Foi então que, diante dos cinco ascetas e uma assembléia seres divinos, promulgou as "Quatro Nobres Verdades", dirigindo-se a eles da seguinte forma:
"O tathagata, irmãos, o bendito, o plenamente iluminado, em Isipatana, no Parque das Gazelas em Benares, estabeleceu o supremo reinado da verdade, e ninguém pode suportá-la, e o fazer conhecer, assinalar, expor, revelar, é explicar, é tornar evidente as Quatro Nobres Verdades."
"E o que são estas Quatro Nobres Verdades?
a nobre verdade do sofrimento;
a nobre verdade da causa do sofrimento;
a nobre verdade do fim do sofrimento, e
a nobre verdade do caminho que leva à extinção do sofrimento (o nobre caminho óctuplo)."
E o bendito falou: "Irmãos, enquanto meu conhecimento e intuição no que diz respeito às Quatro Nobres Verdades não era muito claro, eu duvidava que tivesse alcançado uma completa intuição deste conhecimento, o qual não é superado nem no céu nem na terra, que não tem referência entre todas as grandes quantidades de ascetas e sacerdotes, de seres invisíveis e homens comuns. Porém, irmãos, quando meu conhecimento e intuição no que diz respeito a cada uma das Quatro Nobres Verdades chegaram a ser perfeitamente claros, surgiu em mim a segurança de que tinha atingido uma compreensão completa deste conhecimento.
Por este motivo, irmãos, que é, a Nobre Verdade do Sofrimento?
Nascer é sofrimento, decair é sofrimento, morrer é sofrimento, a pena, o lamentar-se, a dor, o pesar e o desespero - tudo isso é sofrimento. Os cinco agregados da existência são sofrimento.
Mas, irmãos, o que é nascer? A concepção, a germinação, a manifestação dos agregados e do surgimento da atividade sensorial - isto é nascimento.
O que é, irmãos, decair? É envelhecer, é murchar, é a decrepitude, é ficar com cabelos brancos, é o esvaziar da força vital, o enfraquecimento dos cinco sentidos - isto é decair.
O que é, irmãos, a morte? É a separação, o desaparecimento, o desgarramento, a ruína, a dissolução, o fim do período vital, o fim dos cinco agregados da existência, a putrefação - isto é a morte.
O que é, irmãos, a pena? Tudo o que, através desta ou outra perda ou infortúnio que se padece, produza preocupação, aflição, desespero interno é PADECER.
O que é, irmãos, a lamentação? Tudo o que, através desta ou daquela perda que se padece, produza queixa, lamento, gemidos - isto é lamentação.
O que é, irmãos, a dor? Tudo o que é desagradável e penoso para o corpo, as feridas, as chagas, os cortes, o pus - isto é chamado de dor.
O que é, irmãos, o pesar? Tudo o que é doloroso para a mente, desagradável para a mente - isto é pesar.
O que é, irmãos, o desespero? É a consciência da perda, é o padecer que se experimenta, é o desalento, a impotência - isto é chamado de desespero.
O que é, irmãos, o sofrimento de não conseguir o que se deseja? É, ao termos consciência de todos os problemas e aflições humanas, exclamar: "Ó, se não tivéssemos diante de nós o decair, a doença, a morte, a dor, o lamento, o padecer, o pesar e o desespero!" Porém, não se pode conseguir isto somente pelo mero desejo. Por isso, não conseguir o que se deseja é sofrimento.
O que são, pois, irmãos, os cinco agregados da existência? São a existência material, o sentimento, a percepção, as diferenciações subjetivas e a consciência.

Existem três tipos de sofrimento:
o primeiro é sutil e está em todos os seres vivos; é o fundamento da existência;
o segundo é o sofrimento produzido pela eterna mudança, a impermanência, e
o terceiro é conhecido como o sofrimento do sofrimento, ou seja, a dor concreta que experimentamos quando nosso corpo material sofre.
O que é, irmãos, a Nobre Verdade da Origem do Sofrimento?
É o desejo que dá surgimento a um novo renascimento que, amarrado pela sede de prazer, ora aqui, ora acolá, sempre encontra um novo deleite. Esta sede que constantemente nos impele a agir possui três manifestações:
a primeira é a sensual;
a segunda e a de existência individual, e
a terceira é a de auto-aniquilação.
Porém, irmãos, onde tem origem esta sede? Onde ela surge?
Os olhos, o ouvido, o nariz, a língua, o corpo e a mente, todas são agradáveis e causam prazer para os homens.
As formas, os sons, os odores, os sabores, os contatos corporais e as idéias são agradáveis e causam prazer aos homens.
A consciência que se origina mediante o contato dos olhos, do ouvido, do nariz, da língua, do corpo e da mente é agradável e causa prazer aos homens.
As sensações que surgem do olhar, do escutar, do cheirar, do saborear, do tocar e do pensar são agradáveis e causam prazer aos homens.
A percepção das formas, dos sons, dos aromas, dos sabores, dos contatos corporais e das idéias são agradáveis e causam prazer aos homens.
Pensar e refletir sobre as formas, os sons, os aromas os sabores, os contatos corporais e sobre as próprias idéias torna-se agradável e causa prazer aos homens.
Assim, irmãos, quando o ser experimenta ou contempla uma forma com os olhos, escuta os sons, sente o cheiro de uma fragrância, experimenta um sabor com a língua, sente um contato com o corpo, experimenta uma idéia com a mente. Se estas percepções, irmãos, resultarem prazenteiras, então o sentido de agradável aparece e, se forem desagradáveis, aparece o sentido da aversão.
Agora, seja qual for o sentimento que apareça (bom, mau ou neutro), ele sempre é aprovado e o homem sempre se apega imediatamente a ele. O ato de apegar-se é o ato de atar-se à existência e à causa do futuro nascimento; o nascimento dá origem à decadência e à morte, ao padecer, à lamentação, ao pesar e ao sofrimento
Impulsionado, em verdade, pelo desejo sensual, somente por este vão desejo, os reis fazem guerra aos outros reis; os príncipes, aos outros príncipes; os sacerdotes, aos sacerdotes; os cidadãos, aos cidadãos; a mãe, ao filho; os irmãos, entre si, e os amigos tornam-se inimigos.
Assim, entregues a esta discórdia contínua, os homens se ferem mutuamente com paus, pedras, facas e armas de todo tipo. Procuram a morte rapidamente, causam a morte rapidamente, afundam os seres que teriam que amar nas piores misérias. Todos estes sofrimentos, irmãos, têm como causa somente o desejo sensual. Ademais, irmãos, por causa deste desejo, as pessoas rompem os contratos, roubam os bens uns dos outros, furtam, traem, seduzem as mulheres casadas, andam pelo mau caminho em palavras, pensamentos e atos que as acompanham até depois da morte e as fazem cair em estados de existência onde, cada vez mais, passarão por sofrimentos insuportáveis. Porque se disse: "Nem no ar, nem no mais profundo dos oceanos, nem nas cavernas das montanhas, nem em parte alguma encontrarás um lugar onde possas estar livre dos maus atos."
O que é, irmãos, a Nobre Verdade da Cessação do Sofrimento?
É a completa extinção do desejo, é rejeitar o desejo, é libertar-se dele. Porém, irmãos, como este desejo chega a desaparecer? Há três formas:
refletindo profundamente sobre o próprio infortúnio;
refletindo sobre o infortúnio dos outros, e
refletindo sobre o infortúnio próprio e dos outros.
Assim, refletindo profundamente sobre o infortúnio e sobre as causas do infortúnio, os homens compreendem que a raiz de seus males está na sede sensual. Derrotando esta sede, o homem não experimenta sofrimento mental, nem angústia, nem dor. Este é o nirvana visível nesta vida acessível ao discípulo sábio.
O que é, irmãos, a Nobre Verdade que Conduz ao Fim do Sofrimento?
Ó, irmãos, existem dois extremos que devem ser evitados por aqueles que procuram a liberação do sofrimento. E quais são estes? Um é o apego aos prazeres mundanos, às paixões e aos deleites, o que é vão, vulgar e ignóbil. O outro é a mortificação de si mesmo, o que é doloroso, vão, vulgar e ignóbil.
Evitando estes dois extremos, irmãos, o Buda percebeu o caminho do meio, o qual produz a percepção interior, confere o conhecimento e conduz à calma, à suprema sabedoria, à iluminação interior, ao nirvana.
E qual é o caminho do meio, irmãos?
É o nobre caminho óctuplo, que se forma pela compreensão correta, pela intenção correta, pela palavra correta, pela atenção correta, pelo viver correto, pelo esforço correto, pela aplicação correta e pela meditação correta."
Diz o Senhor Buda:
"O que é, pois, irmãos, a compreensão correta?
Quando o discípulo compreende o mal e a raiz do mal, compreende o bem e a raiz do bem - isto, irmãos, é a reta compreensão.
O que é, irmãos, o mal? Matar, furtar, ter relações sexuais desonestas, mentir, caluniar, usar linguagem irada, falar sem sentido, cobiçar o alheio, opinar equivocadamente - todos estes fatores são o mal.
E qual é a raiz do mal? A cobiça, a ira e a ilusão são a raiz do mal.
E qual é a raiz do bem? Estar livre da cobiça, da ira e da ilusão são a raiz do bem.
Ademais, irmãos, quando o discípulo compreende o sofrimento, a causa do sofrimento e o caminho que leva ao fim do sofrimento - isto, irmãos, é reta compreensão.
Quando o discípulo observa que a forma, o sentimento, a percepção, as tendências e a consciência são transitórias, possui a reta compreensão. Mas, se alguém dissesse: "Não quero seguir estes ensinamentos, a não ser que o Buda me fale se o mundo é temporal ou eterno, se o mundo é finito ou infinito, se a personalidade é idêntica ao corpo, se a personalidade e a alma são diferentes ou idênticas, se o Buda continua existindo ou não depois da morte, se a alma é imortal ou se perece junto com o corpo.", tal pessoa, irmãos, morrerá antes que o Buda possa lhe explicar tudo isso. É como se um homem fosse atravessado por uma flecha envenenada e seus amigos e familiares procurassem um médico, e ele falasse assim: "Não quero que tirem esta flecha enquanto não conhecer o homem que me feriu, enquanto não conhecer a casta a que pertence, seu nome, sua família, se ele é alto ou baixo.", irmãos, seguramente este homem morrerá sem que possa chegar a saber tudo isso, porque, existindo ou não estas teorias, é certo que há nascimento, decadência, envelhecimento, doença e morte, lamentação, sofrimento, pesar e desespero.
O que é, pois, irmãos, a intenção correta?
O pensamento livre de sensualidade; o pensamento livre da má vontade e o pensamento livre da crueldade.
O que é, pois, irmãos, a palavra correta?
É quando, irmãos, o homem venceu a mentira, venceu a falsidade. Diz a verdade, é devoto da verdade, é digno de confiança, não engana as pessoas. Quando é levado perante um juiz e o mesmo lhe pergunta: "Vamos, bom homem, fala o que sabes", responde, se nada sabe, "nada sei" e, se sabe, "sei"; se nada viu, responde "nada vi" e, se viu, responde "vi". Assim, nunca diz mentiras conscientemente, nem por proveito próprio, nem por proveito de outra pessoa, nem por amor a proveito algum. É quando o homem venceu a calúnia e não perjura. O que escutou aqui, não repete lá, para, assim, não ser causa de desentendimentos nem de brigas. Torna-se elemento reconciliador, alegra-se na concórdia, e a difunde com suas palavras. Renunciou à linguagem irada, usa palavras suaves aos ouvidos, palavras que despertam o amor no coração das pessoas, palavras que são corteses, que deixam felizes aos muitos e que elevam a muitos. Venceu a conversa ociosa, fala no momento justo e de acordo com os fatos. Fala somente do Dharma ou guarda santo silêncio. Fala dos fatos dos grandes mestres e estimula a que sigam seu exemplo. Sua fala é tida como de muito valor, e não contradiz seu pensamento.
O que é, pois, irmãos, a ação correta?
Irmãos, este homem renunciou a matar de qualquer forma, seja com as mãos ou com armas. Este homem é compassivo, solidário, ama a bondade e tem piedade de todos os seres vivos. Renunciou ao furto e ao roubo, pega somente o que lhe foi dado, guarda o que lhe foi encomendado a guardar, enfim, evita apoderar-se de qualquer objeto que não lhe pertença. Renunciou a qualquer tipo de relação sexual desonesta, não seduz mulheres casadas, não tem relações sexuais perto das moradias de homens santos ou de discípulos que estejam meditando, nem perto ou dentro de lugares considerados santos. Não tem relações sexuais com comerciantes de sexo, nem com crianças. Isto, irmãos, é chamado de ação correta.
O que é, pois, irmãos, o viver correto?
O correto viver, ou o correto meio de vida, é abster-se dos cinco tipos nefastos de comércio: o de armas, o de seres vivos, o de carne, o de bebidas embriagadoras, o de drogas e o de venenos. Enfim, o modo de vida correto inclui ser honesto no trabalho que se esteja realizando e obter o sustento da forma mais honesta possível.
O que é, pois, irmãos, o esforço correto?
Há, irmãos, quatro grandes esforços:
o esforço de evitar, que é estar atento e gerar, em si mesmo, a vontade de vencer o mal e as coisas impuras que ainda não tenham surgido e esta pessoa, invocando suas forças, luta e esforça-se para manter a mente constantemente alerta, para que os pensamentos, palavras e atos erros não se materializem;
o esforço de vencer, que é estar atento e conceber, em si mesmo, a vontade de vencer o mal e as coisas impuras que já tenham surgido e esta pessoa, invocando todas as suas forças, luta e incita sua mente para vencer;
o esforço de desenvolver, que é estar constantemente dirigindo sua mente para desenvolver pensamentos positivos, de amor de concórdia, para desenvolver estados de constante atenção para evitar ou aniquilar estados mentais que não estejam de acordo com a compaixão, a cordialidade, o amor ao próximo, e o esforço de manter, que é, estando em alerta na supressão de estados mentais negativos e desenvolvendo estados mentais positivos, a pessoa tenta constantemente manter a mente em harmonia com seu meio ambiente e com todos os seres, com a finalidade de desenvolver uma mente calma.
O que é, pois, irmãos, a aplicação correta?
É, irmãos, quando o discípulo venceu os desejos humanos e vive em contemplação do corpo, das sensações, da mente, dos fenômenos internos de forma incansável e claramente consciente, com os sentidos despertos. A correta aplicação dos quatro fundamentos detalhados anteriormente conduz o homem à realização da pureza, à superação da dor e da lamentação, ao fim do sofrimento e do padecer e, por fim, ao nirvana.
O que é, pois, irmãos, o correto samadhi?
Fixar a mente num ponto - isto é samadhi.
Os quatro fundamentos da aplicação - estes são os objetos do samadhi.
Os quatro grandes esforços - estes são os meios necessários para o samadhi.
Praticar, cultivar e desenvolver estes aspectos - isto se chama "desenvolver o samadhi".

Texto fornecido pela
Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan


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FENG SHUI NA ARQUITETURA E NA DECORAÇÃO DE INTERIORES

Dias 26,27,28,29 de janeiro de 2009

REALIZAÇÃO DO CREA-RJ/PROGREDIR

"Workshop de Feng Shui
China 2008"

Palestra Gratuita sobre Feng Shui
Dia 27 - 5a feira às 14:30 hs
Clube Naval
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