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Humildade e Servilismo
      Para distinguirmos a conduta humilde da conduta servilista é preciso, inicialmente, analisarmos a modéstia (hexagrama número 15 do I Ching), já que essa grande virtude corresponde diretamente ao que tratamos aqui como conduta humilde:

A modéstia é a condição de harmonia e equilíbrio que pode ser expressa tanto na natureza como entre os seres humanos. Na natureza, nos remete, por exemplo à imagem do sol que, quando alcança o zênite alcança seu declínio; quando a lua está cheia começa a minguante e vice versa. É assim que a natureza segue seu curso: de acordo com leis fixas. Daí entendermos porque a causa de nossas derrotas nunca é o mundo externo e sim nosso próprio comportamento que atrai boas ou más influências, bons ou maus resultados. Cabe agora a pergunta: como poderia ser a modéstia empregada no âmbito do comportamento humano?

O estudo do I Ching tem como objetivo principal o auto-conhecimento. Para que esse processo ocorra é preciso que o homem esteja numa postura humilde, ou seja, modesta. A partir desse estado de equilíbrio interior será possível encontrar harmonia com o universo. Porém na busca desse estado de equilíbrio encontramos inúmeros obstáculos, que nada mais são do que etapas do nosso processo de auto-conhecimento. Caberá a nós identificar quando a nossa conduta está sob influência do nosso ego querendo manipular e elaborar formas de lidar com os problemas. Ao identificarmos a ação do ego devemos retomar a atenção aos nossos valores e princípios; é assim que evitaremos a frustração e a angústia decorrentes da desarmonia interna.

A modéstia, portanto, se expressa através da sinceridade e da simplicidade. O comportamento arrogante a que nos induz o ego, só nos afasta do nosso caminho e impede a manifestação de nossas inatas potencialidades e nossas virtudes.

Dentre as inúmeras dificuldades que devemos superar para alcançarmos a modéstia, ou seja, o equilíbrio e a paz interior necessários ao aprimoramento de nossa personalidade, está justamente o servilismo. Este nada mais é do que a fraqueza interior que vacila entre a esperança e o medo e nos impede de ver a realidade com clareza. Somos submetidos a um emaranhado de dúvidas e angústias que acabam por nos conduzir a escolhas que só levam ao arrependimento e ao sofrimento.

O servilismo também induz à queda de auto-estima, o que aumenta ainda mais a sensação de impotência diante do sofrimento.

Concluímos assim a nossa explanação sobre humildade e servilismo que o comportamento servil trata-se de uma fraqueza interna que, fatalmente, teremos que lidar e superar, quando do enfrentamento das dificuldades inerentes ao processo de auto-conhecimento. De outro lado a modéstia ou humildade é justamente o que deve permear nossa conduta para que possamos cultivar nossa própria natureza e, ao nos lançarmos ao processo de auto-conhecimento, manifestarmos em toda pureza, nossas potencialidades e talentos.

Maria Teresa Saldanha

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