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Por Luis Guilherme Aita Pippi, Sonia Afonso e
Alina Santiago - Publicado em 11/02/2005
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O ambiente natural tem sido modelado em seu detrimento pelo homem. A harmonia do homem com a natureza foi rompida devido ao descontrolado crescimento do mercado imobiliário e as conseqüências da densificação e expansão urbana, e isto gerou a desqualificação de certos espaços urbanos, bem como o comprometimento do meio ambiente natural. O modelo social capitalista é um dos fatores que tem perpetuado esta situação, pois este passou a usar a natureza de maneira predatória, comprometendo os recursos naturais e gerando estruturas e resíduos que podem vir a colocar em risco à sobrevivência do ser humano, e sua existência. Os espaços urbanos estão crescendo cada vez mais de maneira desordenada e desrespeitando as condições do meio natural para a implantação dos mesmos. A intensa densidade populacional, a desorganização urbana, a falta de integração social e principalmente a falta de integração entre a cidade e o meio ambiente natural têm resultado na degeneração e degradação de nossas cidades, bem como de todos os seus ecossistemas
Conforme GORE (1992, pg.31): Esta desorganização urbana tem desencadeado um círculo vicioso envolvendo muitos fatores tais como o crescimento urbano desarticulado, resíduos urbanos, aumento da densidade populacional, exclusão social e territorial, violência, fome, poluição, erosão, desmatamentos, deslizamentos, degradação litorânea, falta de saneamento, problemas de drenagem natural, além de problemas econômicos, sociais e políticos. Fatores como o turismo insensível, a ocupação clandestina e a pobreza ainda estão contribuindo em grande escala para piorar este cenário. Devemos acabar com as cidades desarticuladas e formadas por camadas sociais distintas, onde a classe alta fica isolada e "murada" em condomínios fechados, com grades de segurança, a classe média fica esquecida e a classe baixa (favelados e invasores de terra) vive marginaliza em áreas inundáveis, nas encostas e morros, longe da infra-estrutura e do alcance dos equipamentos urbanos. Os locais ocupados pela camada mais baixa acabam degradando rapidamente os recursos naturais, e conseqüentemente são os primeiros a sofrerem os efeitos de ação-reação da natureza, como: erosão, enchentes, doenças, etc. Não é possível manter a natureza intacta, pois muitas das regiões naturais e seus ecossistemas já desapareceram. Porém, outras paisagens naturais ainda estão intactas, ou podem ser recuperadas, ou e podem ser transformadas a nosso favor, urbanizando, através do respeito com as leis ambientais. Desta maneira poderemos formar uma cidade harmônica através da criação de um novo ambiente urbano, baseado no equilíbrio, na qualidade de vida populacional e na sustentabilidade tanto da cidade como para suas estruturas. Para que obtenha o resgate e a conservação destes bens paisagísticos é preciso primeiramente se combater o crescimento urbano descontrolado e muitas vezes ilegal e depois criar princípios de conservação e re-educação social. Os valores ambientais de cada região da cidade devem ser levados em consideração, para que juntamente com as tecnologias, possa produzir uma cidade melhor e assim garantir uma qualidade de vida a todos seus integrantes. Comércio, lazer, turismo, educação, uso residencial com densidades variadas e a articulação destes, devem ser levados em consideração para a viabilidade e o sucesso do desenvolvimento urbano ambiental conservador. Deve-se buscar relações de coletividade e se promover o gerenciamento para inibir a ocupação espontânea e irregular, procurando acomodar todas as camadas sociais. Para continuar lendo esse artigo científico, acesse o site do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC (em .pdf) * Luis Guilherme Aita Pippi (guiamy@hotmail.com) é arquiteto e mestrando do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia do Ambiente Construído da UFSC. Sonia Afonso (soniaa@arq.ufsc.br) é professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC e Alina Santiago (alina@arq.ufsc.br) também é professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC |
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